O custo de ser banal
Capítulo 8: O conforto que nos apaga
O mundo espera que, aos 40, já tenhamos tudo resolvido. Esperam o cargo de chefia, a casa perfeita, as férias de catálogo e uma conta bancária sólida.
Durante muito tempo, eu vivi na sombra dessa expectativa. Vivi (e ainda vivo em parte) com vergonha de sentir que devia estar numa posição melhor.
Olho à volta e vejo que construí uma vida “banal”. Tenho um emprego comum, que me dá algum conforto e que paga as minhas contas. Aceitei que a vida era isto: acordar, ir trabalhar, receber o salário, pagar as contas. Uma engrenagem que funciona em piloto automático.
Confesso, deixei-me levar pela inércia.
A verdade é que esta inércia foi alimentada pelo medo de mudar e arriscar um rumo novo. Tinha medo de falhar perante os outros e, ao mesmo tempo, sentia o conforto de não ter de fazer nada. Às vezes preferimos ser “banais”, mas infelizes, do que “diferentes” a tentar algo novo e correr o risco de falhar à vista de todos.
É seguro? É... Mas é morno. No papel, está tudo certo. Mas, na realidade, sinto que falta algo. Ser banal tem um preço que não se vê, mas sente-se: rouba-nos a alma.
Aceitar a banalidade é aceitar o “logo se vê”, é conformar-se com as dívidas porque “toda a gente tem”, é gastar o que não se tem para manter um estilo de vida que não nos serve... E isso já não encaixa em mim.
O custo de ser banal é alto demais. É o custo de ver os anos passarem enquanto trabalhamos apenas para sustentar obrigações, sem nunca construirmos nada que nos faça vibrar.
Demorei a perceber que o problema não é o meu trabalho ser banal. O problema é eu deixar que a minha mente também se torne banal.
A necessidade de mudar, aprender, de ser melhor, de fazer algo e de nunca mais me acomodar passou a ser o meu propósito maior.
A minha jornada financeira deixou de ser só sobre “números no Excel” para passar a ser sobre o resgate da minha própria identidade.
Antes, o meu ordenado servia para camuflar o vazio dessa banalidade com compras inúteis. Hoje, cada euro que poupo e cada dívida que abato é um tijolo na construção da minha liberdade. Já não quero apenas “ter” uma vida confortável. Quero ter tempo para a viver e liberdade para escolher como o fazer. Quero deixar de ser a pessoa que apenas espera pelo final do mês.
A "Arte de Resistir” nasceu justamente dessa urgência. De criar algo que fosse verdadeiramente meu, um espaço onde não sou apenas mais uma peça numa estrutura que não me pertence. Quero deixar de apenas ver a vida a passar e começar, finalmente, a ser a autora da minha história.
O meu emprego paga-me as contas, mas este espaço onde escrevo - o meu blogue - paga-me a alma.
Ser banal é seguro, mas é silencioso demais. E eu decidi que, a partir de agora, quero fazer barulho.
E por aí? Também sentes que a tua vida entrou em piloto automático ou já criaste algo que seja verdadeiramente teu?
Espero por ti no próximo capítulo.
Até lá, resiste!
A Arte de Resistir

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