Como Manter as Rotinas e Poupar Dinheiro no Verão
Nem todos os dias são iguais, nem todas as épocas do ano exigem o mesmo de nós. Há fases em que temos mais projetos em mão, mais trabalho ou simplesmente uma vida mais agitada. Nessas alturas, torna-se difícil manter o mesmo ritmo. E isso acaba por se refletir quer nos nossos hábitos do dia a dia, quer no controlo das nossas finanças.
No verão, o desafio é real. Há tantas oportunidades de distração, de convívio, de praia, que o pensamento que vem sempre à cabeça é: “Porque é que vou treinar hoje em vez de aproveitar a praia?” ou “Porque é que vou poupar se o verão é para viver?”.
Nesta altura do ano em especial, o marketing da “vida boa” ataca com uma força ainda maior que a preguiça. E é tão fácil cair no erro do “tudo ou nada”: se não consigo treinar 4 vezes por semana, não treino nenhuma; ou se vou gastar mais em jantares, então mais vale nem fazer poupanças este mês.
Nestas fases, para mim, o objetivo deixa de ser querer fazer tudo como no resto do ano. O objetivo para manter as rotinas no verão, passa simplesmente por tentar adaptar-me, sem perder os hábitos nem o controlo das finanças.
Como manter os treino no verão: a estratégia da redução
Como quero aproveitar o tempo livre que tenho para ir à praia, em vez de abandonar por completo as minhas rotinas de treino, e para não ter de escolher uma em detrimento da outra, a solução que eu encontrei e que resulta para mim, é adaptar-me às duas.
Ou seja, em vez de abandonar por completo os treinos no verão o que eu faço é:
- Reduzo o volume: Em vez de 4 ou 5 vezes, passo a treinar apenas 2 vezes por semana.
- Mudo o foco: Faço treinos de fullbody (corpo inteiro) em vez de treinos específicos. Acaba por se tornar mais eficiente para quem tem menos tempo.
- Adapto o cenário: O cardio que antes era fechado, passa para o ar livre. Aproveito o clima em vez de lutar contra ele.
Quando reduzo a intensidade, não estou a desistir dos meus objetivos. Estou apenas a adaptar a minha rotina à realidade desta época do ano. Porque sei que manter um hábito vivo exige muito menos esforço do que recomeçar tudo de novo meses depois.
E se o trabalho durante o ano for regular e comprometido, não são dois meses que estragam a nossa evolução. A consistência é feita disto mesmo. Não é uma linha reta.
O Reflexo nas finanças: como poupar dinheiro no verão
O verão não muda só os hábitos do dia a dia, muda também os nossos gastos.
Esta época, traz naturalmente mais gastos — gelados, esplanadas, passeios. Tentar manter exatamente o mesmo orçamento é irrealista. Sejamos sinceros, tentar manter a mesma taxa de poupança por exemplo de janeiro, não é viável. Se eu tentasse manter a mesma taxa de poupança rígida do resto do ano, provavelmente frustrava-me e desistiria.
Nas minhas finanças pessoais, nesta época do ano aplico o mesmo princípio que aplico nos treinos.
Adapto-me.
Em vez de manter a mesma taxa de poupança, procuro fazer uma poupança mais modesta, permitindo-me assim manter o hábito de poupar e a disciplina financeira, sem abdicar dos prazeres do verão, que tão bem me sabem.
É exatamente este o raciocínio que sigo todos os meses no meu balanço financeiro mensal: poupar o que é possível em cada fase, consoante os objetivos de cada momento.
Esta forma de pensar fez-me lembrar uma ideia do livro A Psicologia do Dinheiro. O autor defende que, nas finanças, ser razoável é muitas vezes melhor do que tentar ser perfeito. Faz sentido: um plano que conseguimos manter durante todo o ano vale mais do que um plano perfeito que abandonamos ao primeiro obstáculo.
Adaptar não é desistir: o segredo da consistência
O verdadeiro teste não é manter as rotinas quando tudo corre bem. O verdadeiro teste é conseguir mantê-las quando a vida muda.
E é aqui que entra a disciplina e a adaptação.
Há uns anos atrás ouvi uma frase, já não sei bem onde, mas ficou-me na memória. Feito é melhor que perfeito. E com o passar do tempo percebi que realmente é verdade.
Disciplina não é ser inflexível. É ser inteligente o suficiente para saber que o “menos” ainda é infinitamente melhor do que o “nada”.
Este ajuste é estratégico, porque combate o maior perigo do verão: a mentalidade do “já que...”.
“Já que não fui treinar na segunda, a semana está perdida, volto em setembro”. Ou então: “Já que gastei demais neste jantar, agora o orçamento já foi, vou gastar o resto sem pensar”. Este pensamento é um veneno. É como se furasses um pneu do carro e, em vez de o trocares, decidisses furar os outros três só por frustração.
Nem sempre dá para fazer melhor, e está tudo bem com isso.
Se eu não consigo fazer o meu treino ideal, faço o que é possível.
E nas finanças, o princípio é o mesmo. Se não consigo poupar o valor habitual porque as férias exigem mais, poupo o que puder.
O segredo é adaptar, mas nunca parar.
E tu, se tivesses de escolher hoje o teu “mínimo viável” para não quebrar a corrente, qual seria? Conta-me nos comentários.
E se este artigo te relembrou que não precisas de ser perfeito, partilha-o com aquele amigo que quer desistir dos treinos este mês!
Espero por ti no próximo artigo.
Até lá, resiste!
A Arte de Resistir
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