Cashback: como funciona e como o uso para investir sem gastar mais
Mas afinal, o que é realmente o cashback?
📌 Neste artigo vais encontrar:
Porque é que as empresas oferecem Cashback?
Os diferentes tipos de Cashback
- Cartões de débito — embora pouco comum em Portugal, alguns cartões permitem receber cashback diretamente sobre o valor gasto, usando o teu próprio dinheiro.
- Cartões de crédito — normalmente oferecem percentagens mais atrativas, mas exigem disciplina: só compensam se pagares sempre a totalidade do extrato.
- Plataformas de compras online — funcionam como intermediárias entre ti e a loja, devolvendo-te uma parte do valor gasto por teres entrado através delas.
- Campanhas promocionais — cashback pontual, associado a uma marca, período ou desafio específico, e que normalmente exige ativação prévia.
- Cartões-presente — permitem obter cashback na compra do próprio cartão, que depois pode ser usado normalmente na loja física ou online.
Erros mais comuns e limitações do cashback
Ao longo do tempo fui percebendo que o cashback só compensa mesmo quando usado com regras claras.
Erros mais comuns
- Comprar só porque há cashback. Este é o erro mais perigoso de todos. Imagina uma compra de 100€ com 10% de cashback: na prática, estás a gastar 100€ para depois receberes 10€, o que significa que gastaste efetivamente 90€ numa compra que não precisavas. Se essa compra não fazia parte dos teus planos, o cashback deixou de ser uma vantagem e passou a ser apenas uma desculpa para gastar.
- Esquecer-te de ativar a campanha. Muitas plataformas exigem que ativemos o cashback antes de fazer a compra. Se te esqueceres deste passo, a compra conta como normal e perdes o benefício, mesmo que reúnas todas as outras condições.
- Pagar juros nos cartões de crédito, mas usufruir de cashback. Se não pagares o extrato na totalidade, os juros vão sempre comer qualquer cashback que tenhas ganho, e normalmente muito mais do que isso.
- Não comparar preços. Às vezes, uma loja com cashback tem o preço base mais alto do que outra sem cashback nenhum. Vale sempre a pena confirmar se, no final das contas, ainda estás a sair a ganhar.
Limitações
Nem tudo são vantagens, e é importante teres estas limitações em mente antes de organizares a tua própria estratégia:
- Limites mensais de cashback, que variam consoante o cartão ou plataforma.
- Lojas excluídas de campanhas, mesmo dentro de plataformas onde a maioria dos parceiros oferece cashback.
- Demorar na confirmação. Em algumas plataformas, o cashback pode demorar meses até estar confirmado e disponível para levantamento.
- Campanhas temporárias, que exigem atenção regular para não passarem despercebidas.
- Necessidade de ler as condições com cuidado, percentagens, exclusões e prazos variam bastante de campanha para campanha, e é fácil perder cashback só por desconhecimento das regras.
As ferramentas de cashback que uso no dia a dia
1. Cartão de crédito Cetelem Black
É o cartão que mais utilizo no dia a dia. Uso-o há mais de 15 anos, mas confesso que nem sempre pelos motivos certos. Há cerca de 2 anos que o uso "com cabeça", ou seja, pago sempre a 100% do extrato e aproveito-o apenas pelas vantagens que oferece, sem cair em dívida.
Atualmente, dá cashback nos seguintes setores: supermercados, restaurantes, gasolineiras, carregamentos de elétricos, TVDE e streaming.
O cashback é de 3%, com um teto fixo de 10€ por mês, independentemente da categoria. Na prática, isto significa que basta gastar cerca de 333€/mês nesses setores para atingires o máximo. Para muitas pessoas, esse valor pode ser alcançado naturalmente através de despesas que já fazem parte do orçamento mensal, como supermercado e combustível.
Como é um cartão de crédito, há uma regra de ouro que não pode ser esquecida: pagar sempre 100% do extrato. A TAEG deste cartão é de 18,5%. Por isso, se não pagares a totalidade, o que ganhas em cashback perde-se rapidamente (e muito mais) em juros.
2. MB WAY
A app MB WAY tem uma funcionalidade dedicada a cashback, chamada UP. Uso-a também há cerca de 2 anos, período que coincidiu com o início da minha mudança de mentalidade em relação ao dinheiro.
O UP tem parcerias com inúmeras lojas e serviços, onde é possível ter cashback direto nas compras feitas através desses parceiros. Confesso que raramente uso esta funcionalidade da forma "tradicional", só fiz uma compra através de um parceiro até hoje, numa creperia, onde tive 10% de cashback. Na prática, participo muito mais nos desafios do UP do que propriamente em compras com parceiros.
Existem vários tipos de desafios, mas aqueles em que mais costumo participar são do género: realizar X compras num determinado período de tempo e ganhar Y€ de cashback, independentemente do tipo de compra ou estabelecimento.
O saldo vai acumulando e pode ser transferido para a conta bancária quando atingimos os 10€.
Não costumo ter um valor fixo por mês através do UP — nem sempre há desafios disponíveis, e sinceramente não faço tantas compras que justifiquem grande dedicação a esta ferramenta. Mas continua a ser dinheiro de borla, e demore o tempo que demorar a acumular, vale sempre a pena.
💡 Dica: o cartão Cetelem Black pode ser associado à app MB WAY como forma de pagamento. Isto é útil por duas razões — continuas a acumular o cashback do cartão normalmente, e os pagamentos contam para os desafios do UP que estejam ativos. Só nos casos (raros) em que a mesma loja é parceira tanto do Cetelem como do UP é que podes mesmo ter cashback duplo em simultâneo.
3. Cartão da Trade Republic
Este cartão é diferente do anterior, porque está ligado à contas onde guardo as minhas poupanças e investimentos, e por isso, uso-o com muito menos frequência. Não é dinheiro para mexer no dia a dia, e é precisamente por isso que reservo este cartão para compras mais pontuais e/ou de valor mais elevado.
Uso o cartão da Trade Republic há 2 anos. Atualmente oferece cashback de 1%, embora de vez em quando surjam campanhas que aumentam esta percentagem.
A grande vantagem, para mim, é que o cashback recebido neste cartão é automaticamente direcionado para investimento, ou seja, acumula até ao fim do mês, e no início do mes seguinte é reforçado no plano automático de investimento que escolhermos.
É por isso que faz mais sentido usar este cartão em compras de valor mais alto. E aqui há ainda outra dica: combinando a Beruby (plataforma que vou falar a seguir) com o cartão da Trade Republic, consigo acumular cashback duplo. Dois exemplos recentes:
Quando a máquina de lavar roupa avariou e tive de comprar uma nova, entrei pelo site da Beruby e paguei com o cartão da Trade Republic — tive um cashback total de 10€ (6,58€ da Beruby + 3,43€ da Trade Republic).
Para a viagem das minhas férias de setembro, fiz o mesmo: reservei através da Beruby e paguei com a Trade Republic — o cashback total foi de 65,59€ (53€ da Beruby + 12,59€ da Trade Republic).
Uma vantagem extra que já testei: este cartão não cobra taxas de câmbio. Já paguei em dólares, sem qualquer custo de conversão — já falei disto com mais detalhe no artigo poupar para as férias, mas que vale bem a pena relembrar aqui, pois em férias paga-se mais com os cartões e assim conseguimos reaver parte desse dinheiro e diretamente para os investimentos.
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4. Beruby
A Beruby é uma plataforma de compras online que disponibiliza cashback consoante o bem ou serviço que pretendemos comprar. Já conhecia esta plataforma há mais de 10 anos, já me tinham falado dela, mas só comecei a usá-la efetivamente há cerca de 2 anos.
Através da Beruby temos acesso a uma enorme variedade de lojas e sites de compras online, desde informática, casa, até viagens. Cada loja tem a sua própria percentagem de cashback, que por vezes varia ainda mais consoante a categoria de produto dentro da mesma loja.
O saldo fica acumulado na plataforma e, por norma, não fica logo disponível, às vezes demora algum tempo a ser confirmado. Assim que atingimos pelo menos 10€, podemos transferir o valor para a nossa conta à ordem.
Não é uma ferramenta que use diariamente, recorro a ela sobretudo quando tenho de fazer alguma compra específica fora do habitual, e idealmente de valor mais elevado, para conseguir combinar com o cashback do cartão da Trade Republic (como expliquei na secção anterior).
Os dois exemplos que referi, a máquina de lavar roupa e a viagem de setembro, ilustram bem isto: ao combinar a Beruby com o cartão da Trade Republic, o valor final do cashback fica ainda mais interessante.
Há ainda outra forma de usar a Beruby que funciona de maneira ligeiramente diferente: a compra de cartões-presente com cashback. Já usei este método para compras no IKEA e na Rituals. Comprei o cartão-presente através do site da Beruby, com o respetivo cashback, e depois usei-o diretamente na loja física. Neste caso, foram sempre compras programadas com antecedência, o que facilita aproveitar esta vantagem sem qualquer pressa.
Hoje, sempre que faço uma compra online de valor elevado, a Beruby é o primeiro site que abro.
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A minha estratégia de cashback em resumo
Ao longo deste artigo expliquei as ferramentas que utilizo e a forma como tiro partido de cada uma. Para simplificar, fica abaixo um resumo de quando uso cada ferramenta e qual o objetivo de cada uma.
Como transformo cashback em investimento
Como viste ao longo deste artigo, uso várias ferramentas em simultâneo, e sempre que possível, combino-as entre si para maximizar o cashback em compras de maior valor. No fundo, é conhecer bem cada ferramenta e usá-la no momento certo.
Mas a parte mais importante, para mim, acontece depois: o destino que dou a esse cashback.
Decidi que, sempre que tiver este "dinheiro de borla", vou canalizá-lo diretamente para investir, o que faz dele mais uma peça no caminho para a minha recuperação financeira.
No final do dia, o cashback não vai mudar a tua vida. Mas quando esse dinheiro é investido em vez de gasto, deixa de ser apenas cashback e passa a ser mais um pequeno passo para a construção do nosso futuro.
Vale realmente a pena usar cashback?
Depois de tudo isto, a resposta honesta é: depende de como o usas.
Se o cashback for apenas mais um motivo para gastar, a resposta é não. Estás só a alimentar um ciclo de consumo que trabalha a favor das marcas, não a teu favor.
Mas se o encaixares nos gastos que já ias ter de qualquer forma — supermercado, combustível, uma viagem já planeada — então sim, vale a pena. Não porque te vai enriquecer de um dia para o outro, mas porque, ao longo do tempo, e sobretudo se canalizares esse dinheiro para investir, ele soma-se a outros pequenos hábitos que, juntos, fazem diferença.
Para mim, essa é a única forma de o cashback fazer sentido: como um complemento a hábitos financeiros já saudáveis, nunca como substituto deles.
No fundo, o objetivo do cashback não é gastar mais para receber de volta uma parte do dinheiro. É conseguir extrair mais valor das compras que já faziam parte da nossa vida.
E tu, já usas alguma destas ferramentas? Ou tens outras que uses e que não mencionei aqui? Conta-me nos comentários.
Espero por ti no próximo artigo.
Até lá, resiste!
A Arte de Resistir
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