Férias 2026: viagem, dinheiro, consumo, redes sociais e outras reflexões
Talvez por ter crescido a ver filmes passados nas grandes cidades americanas, sempre com o conceito American dream presente, os Estados Unidos sempre me fascinaram de uma forma particular.
Foi a segunda vez que fui, mas esta foi a primeira que não foi a crédito. Andei mais de um ano a juntar dinheiro para ela e planeei tudo com bastante antecedência. E talvez por isso mesmo, soube-me bem melhor.
E fiquei com mais certeza ainda de que quero lá voltar!
Mas este não é um artigo sobre a viagem em si, nem sobre lugares para visitar. É sobre o que fica depois: as curiosidades e pormenores que me chamaram a atenção e as reflexões que foram surgindo pelo caminho.
Dez dias sem redes sociais
Já há algum tempo que sentia que estava a passar demasiado tempo nas redes sociais. Por isso, aproveitei o facto de não ter dados móveis durante esta viagem e fiz questão de passar 10 dias sem redes sociais.
Não publiquei, não fiz scroll, não acompanhei ninguém.
Confesso que esperava sentir mais falta. Mas foi mais fácil do que pensava! E isso, por si só, já me disse muito.
Percebi que costumamos ir às redes sociais de forma tão automática que nem nos apercebemos. Não é uma decisão consciente, é quase um reflexo: um minuto morto à espera de alguma coisa, e lá está o telemóvel na mão. E o que devia ser só "preencher tempo morto" acabava sempre por se transformar em muito mais tempo do que aquele que eu realmente queria dar.
Olhando para trás com mais honestidade, acho que no meu caso é sobretudo uma forma de procrastinar.
Talvez tenha sido mais fácil do que esperava também por outro motivo: foi uma viagem relativamente curta para conhecer três cidades, e por isso sobrou pouco tempo livre. Não houve muitos "tempos mortos" para preencher — e se calhar é exatamente aí que está a resposta. Quando a agenda está cheia e a cabeça ocupada com coisas reais, o impulso de ir às redes sociais nem chega a aparecer.
Mas a pergunta que fica é: e depois das férias, na rotina normal?
Vou tentar repetir este exercício, sem dúvida. Já sei que não vai ser tão fácil como foi longe de casa, mas pelo menos agora sei que é possível, e isso já é meio caminho andado.
No fim, fiquei com mais certeza ainda: a vida acontece fora das redes sociais.
Às vezes, só precisamos de nos afastar delas um pouco para nós lembrarmos disso!
Viajar com mais consciência
Desta vez, fui muito menos consumista e muito mais criteriosa com os meus gastos. Isso não significou abdicar do que queria mesmo aproveitar, significou não extrapolar naquilo que não considerei necessário.
Um exemplo concreto: desta vez, só jantámos uma vez num restaurante. E até essa experiência acabou por ser uma boa aprendizagem.
Por causa das redes sociais, tínhamos muita vontade de experimentar a famosa sandes de pastrami daquele sítio que aparece tantas vezes. Esperámos mais de uma hora numa fila que contornava o quarteirão e, no final, pagámos cerca de 80 dólares pelos dois.
E sinceramente? Foi uma desilusão. Estava à espera que fosse muiiiiito melhor.
Mas, apesar disso, não considero que tenha sido dinheiro completamente mal gasto. Não pela sandes em si, mas pela experiência. Os funcionários eram super simpáticos, já completamente habituados àquela afluência, e até nos deixaram filmar enquanto cortavam a carne.
No fundo, foi uma daquelas situações em que percebemos que aquilo que vemos tantas vezes nas redes sociais pode criar expectativas que nem sempre correspondem à realidade. E também que nem todos os gastos que fazemos têm de ser justificados pelo preço, às vezes pagamos pela experiência.
Fora este jantar, não comemos mais nenhuma vez fora.
Achei os preços demasiado exagerados para o que estava disposta a gastar por refeição. Mas isso não quer dizer que tenha vivido de fast food todos os dias, muito pelo contrário. Fui ao supermercado e comi comida a sério: fruta, saladas, carne, peixe, o normal.
Muitos supermercados por lá têm bancas enormes de comida já feita, vendida ao peso, e foi essa a minha solução na maioria dos dias. Sim, os preços do supermercado americano continuam a ser consideravelmente mais elevados do que os que estou habituada a pagar em Portugal. Mas, ainda assim, ficava muito mais acessível do que jantar fora todos os dias.
Isto também não significou abdicar de experimentar coisas típicas. Um hot dog de rua saiu-me por cerca de 5 dólares, e uma fatia de pizza por 1,5 dólares. E estes pequenos prazeres não hesitei em pagar, porque fazia parte da experiência e valia a pena.
No fundo, foi isto que percebi: consumo consciente não é privar-me de tudo, é escolher conscientemente onde e quando faz ou não sentido gastar o meu dinheiro.
O choque do consumismo americano
A propósito de consumismo, consegui ver com os meus próprios olhos o quanto ele é exagerado naquele país. Tudo funciona, tudo está disponível e o consumo está presente em todo o lado.
E se o consumo já é absurdo, o desperdício é ainda maior.
Fiquei impressionada, pela negativa, com a quantidade de embalagens usadas para tudo e para nada. Na maioria dos sítios não há louça — há embalagens. Um simples café, nalguns locais, chega a gastar quatro consumíveis: o copo, a tampa, a palhinha e ainda um cartão à volta do copo.
E não é só o café. É mesmo o conceito geral: simplesmente não existe louça, é tudo consumível, descartável, de utilização única. Impressiona pela quantidade.
Depois há ainda outro problema, este talvez mais grave do que o primeiro: a separação do lixo dessas embalagens todas deixa muito a desejar. Produz-se numa escala enorme, mas o cuidado a dar-lhe o destino certo não acompanha.
Pequenos pormenores que impressionam pela positiva
Nem tudo foi motivo de estranheza. Em termos de casas de banho públicas, fiquei surpreendida pela positiva. Em todos os sítios onde fui estavam limpas, com papel higiénico e sabonete disponíveis.
Visitei três cidades, e em qualquer uma delas encontrei uma rede de transportes públicos espetacular. Consegui deslocar-me sem qualquer problema, a horas muito diferentes do dia.
Outra coisa que reparei, e que se repetiu em vários sítios diferentes: estão constantemente a fazer obras de restauro em prédios e ruas. Não foi um caso isolado numa cidade, vi isto de forma recorrente. Dá a sensação de que há um cuidado contínuo em manter e renovar o espaço público, e não deixar tudo degradar-se até já não haver volta a dar.
Também notei que são muito mais criteriosos em relação ao tabaco. Há muito mais espaços públicos e ao ar livre onde não se pode fumar do que aqui em Portugal: não se fuma em parques, nem nas praias, por exemplo.
Menos comparação social
Uma coisa que senti de forma muito clara: lá, sente-se menos comparação social. Cada um faz mais a sua vida e olha mais para si do que para os outros. Ninguém repara na roupa que trazes vestida, se estás de pijama ou vestida a rigor, é igual. A diversidade é tanta, que ninguém liga.
Aqui em Portugal sinto mais essa pressão de ter de preencher ou seguir um determinado padrão. Sinto que aqui as pessoas olham mais para o que é diferente.
Talvez seja apenas uma percepção minha, influenciada pelos lugares que visitei e pela experiência que tive durante estes dias. Mas foi uma diferença que senti e que me ficou na cabeça.
O cartão que uso sempre que viajo
Já tinha falado deste cartão num artigo anterior, sobre como gastar pouco em férias. E desta viagem voltei a comprová-lo: mais uma vez, usei no dia a dia o cartão da Trade Republic como forma de pagamento. Funcionou em todos os locais, fez a conversão automática para dólares e sem qualquer taxa adicional.
🎁 Se quiseres abrir conta podes faze-lo através deste link:
Férias é também parar e olhar para dentro
As férias serviram para mudar rotinas, viajar mas também serviram para olhar para o ano até aqui com alguma distância.
É aquele momento em que, depois de descansar, conseguimos finalmente perguntar:
- O que está a funcionar?
- O que já não faz sentido?
- O que quero mudar?
- Que objetivos ficaram pelo caminho?
- O que quero fazer de diferente nos próximos meses?
- Há alguma coisa que continuo a adiar?
- O que quero recuperar?
- E, sobretudo, o que quero mesmo para mim?
Destas perguntas nasceu uma decisão nova, mas essa conto-te em detalhe no próximo artigo.
Estar longe da azáfama do dia a dia e sem a distração do telemóvel deu-me o espaço mental que precisava para pensar na minha vida, nos meus números e nos meus objetivos para os próximos anos.
No próximo artigo, vou partilhar a reflexão financeira que fiz durante esta viagem, os cenários que desenhei no papel e o novo plano que tracei.
Espero por ti no próximo artigo.
Até lá, resiste!
A Arte de Resistir
Nota de transparência: Este artigo reflete a minha experiência e opinião pessoal e não constitui aconselhamento financeiro. Alguns dos links presentes neste artigo podem ser links de afiliado, o que significa que posso receber uma pequena comissão caso faças uma compra através deles, sem qualquer custo adicional para ti. Estas comissões ajudam a manter a A Arte de Resistir independente.


Comentários
Enviar um comentário