Vale a pena ler "Comece pelo Porquê" e "Pensar Depressa e Devagar"? Review honesta

Vale a pena ler Comece pelo Porquê e Pensar Depressa e Devagar review honesta

Sempre adorei ler, desde pequena. Lembro-me na minha adolescência de os meus amigos estarem à minha espera para ir para a praia e eu em casa sem conseguir parar de ler. Lia muito os livros do Dan Brown e todos do Harry Potter, porque conseguia exactamente colocar-me naqueles sítios, naquelas fantasias. Quando estou a ler é como se estivesse a viajar também.

Mas na correria da vida adulta, deixei esse hábito de lado. Parecia que já não tinha paciência. Tive anos sem ler. Até àquela altura em que me vi no fundo do poço — e foi nessa fase que criei os meus Inegociáveis, sendo um deles obrigar-me a ler 10 páginas por dia. Foi assim que redescobri o prazer da leitura. E descobri que adoro livros de finanças, de desenvolvimento pessoal e de mentalidade — livros que nos façam pensar, ver o mundo sob outra perspectiva, abrir horizontes.

Por isso, quando ouvi falar destes dois títulos em todo o lado — o Comece pelo Porquê de Simon Sinek e o Pensar Depressa e Devagar de Daniel Kahneman — comprei-os com grandes expectativas. Li-os seguidos. E tenho uma opinião honesta sobre os dois.


Comece pelo Porquê, de Simon Sinek — A minha review

O livro baseia-se numa ideia central interessante: o nosso propósito, a nossa causa, deve ser maior do que as ações em si. Sinek explica a sua tríade — o Porquê, o Como e o Quê — e de como as grandes marcas e líderes comunicam de dentro para fora, começando sempre pelo propósito.

Confesso que a ideia fez-me pensar. O conceito do Porquê é genuinamente poderoso. E foi precisamente nesta altura que criei este blogue. O livro inspirou-me a pensar no meu próprio propósito: porque é que quero escrever, o que tenho para dizer, para quem... Pela primeira vez fiz-me perguntas que nunca tinha feito a mim própria. E foi bom.

Mas ficou-se por isso só. Sinek explica bem o conceito, mas falhou em alguns pontos fundamentais para mim:

  • Falta de ferramentas práticas: o autor nunca te dá ferramentas para o aplicares à tua própria vida. Como é que eu descubro o meu porquê? Por onde começo? Essas perguntas ficaram sem resposta.
  • Falta de dinâmica e realidade: Eu sei que o objetivo do autor é o "Porquê", mas falta-lhe um pouco do "Como" e do "O quê", para se tornar um pouco mais dinâmico. O livro foca tanto na parte romântica e inspiracional de ter um propósito que se esquece da realidade de quem está a começar, ou a enfrentar problemas de verdade: a execução diária, as dificuldades financeiras e o esforço que temos de ter antes de ter sucesso.
  • Demasiado repetitivo: O autor passa trezentas páginas a dizer essencialmente a mesma coisa, e sempre com os mesmos exemplos — os irmãos Wright, a Apple, Martin Luther King. Dei por mim aborrecida. Terminei o livro, mas foi mais por teimosia do que outra coisa. Estive sempre à espera de mais, sempre a pensar que o próximo capítulo ia trazer algo novo. Não trouxe.

A minha opinião sincera? Dois capítulos chegavam para passar a mensagem. O resto é repetição. Demasiado redundante.

Recomendo? Honestamente, não.


Pensar Depressa e Devagar, de Daniel Kahneman  — A minha review

Logo de seguida, comecei a ler o Pensar Depressa e Devagar, do psicólogo e Prémio Nobel Daniel Kahneman. Talvez pelos adjetivos em si — psicólogo, Nobel — a expectativa era grande. De facto, este é um livro diferente, muito mais denso, muito mais substancioso.

Este livro promete explicar como funciona a nossa mente e como a nossa tomada de decisões é influenciada. Kahneman explica como o nosso cérebro funciona através de dois sistemas: 

  • o Sistema 1: rápido e intuitivo
  • o Sistema 2: lento e deliberado — mas preguiçoso, que evita "entrar ao serviço" sempre que pode, deixando o Sistema 1 tomar decisões que por vezes resultam em enviesamentos de julgamento.

O conceito é fascinante. Mas à medida que fui lendo, parecia que não saía do sítio. O livro continuava sempre igual. Páginas e páginas (quase 400) a detalhar experiências científicas e dados estatísticos exaustivos apenas para provar o seu ponto de vista. Começou a ser um pesadelo de leitura para mim.

Reconheço que o livro tem interesse e profundidade, mas é demasiado académico

Eu procurava um livro de mentalidade e tomada de decisões que pudesse aplicar no meu dia a dia, e aprender a contornar esses tais enviesamentos. Em vez disso, encontrei um manual universitário. Falta-lhe completamente a parte prática.

A partir da parte 4 do livro, melhora um pouco, fica um pouco mais dinâmico. Mas eu tinha chegado àquele ponto de saturação em que decidi parar de ler. Por mais que continuasse, já não estava a conseguir extrair nada. Já estava bloqueada.

A minha opinião sincera? Conceitos interessantes, autor brilhante, mas é demasiado académico e denso.

Recomendo? Apenas a quem é da área — psicologia, economia comportamental, investigação. Para o leitor comum, é demasiado teórico.


Quando Parar de Ler é a Melhor Decisão

Detesto deixar livros a meio. Foi apenas a segunda vez na minha vida que o fiz. Sinto sempre uma espécie de "culpa" por desistir. Mas, a meio do livro do Kahneman, cheguei ao meu limite e decidi parar. E sabes que mais? Foi a melhor decisão que tomei.

A leitura estava a ser um sacrifício diário. E para mim ler tem de ser prazer, viagem, aprendizagem. Não um sacrifício. Quando ler se transforma num frete obrigatório, o nosso cérebro bloqueia. Eu já estava num ponto em que, por mais que o livro me pudesse ensinar alguma coisa útil para as minhas finanças ou mentalidade, eu já não conseguia extrair valor nenhum dali devido à frustração.

E percebi que insistir só por não querer desistir não era resistência — era teimosia. Às vezes parar é exactamente o que precisamos de fazer para partir para outra coisa que nos anime de verdade.

Foi o que fiz. E já estou a adorar o que veio a seguir — mas isso é para um outro artigo. 😊

O nosso tempo é o recurso mais escasso que temos. Se o teu orçamento de tempo é limitado, gastá-lo a forçar a leitura de algo que já não te acrescenta nada não é disciplina — é desperdício.


E tu, já leste algum destes livros? 

Tens uma opinião diferente da minha? Conta-me nos comentários — adoro perceber se sou só eu ou se outros leitores sentiram o mesmo!


Espero por ti no próximo artigo.

Até lá, resiste!


A Arte de Resistir



Nota de transparência: Este artigo reflete apenas a minha opinião pessoal enquanto leitora. Não contém links de afiliados.



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