Os 7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes: Mais do que um livro de produtividade

Capa do livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes de Stephen Covey


No último artigo sobre livros, contei-vos porque desisti de dois gigantes do desenvolvimento pessoal. Hoje, trago-vos o livro que me salvou da ressaca literária: Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, de Stephen Covey.

Confesso que, pelo título, esperava um livro totalmente voltado para produtividade, para o trabalho, para executar tarefas, para fazer mais em menos tempo. 

Mas não foi de todo isso que encontrei.

Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes fala, acima de tudo, sobre princípios, valores e carácter. Sobre a forma como escolhemos agir, como nos relacionamos com os outros e, talvez mais importante, sobre a pessoa que queremos ser.

E foi precisamente isso que me surpreendeu.

O meu objetivo aqui não é fazer-vos um resumo detalhado do livro. Apenas quero deixar-vos os insights das ideias que mais me marcaram, e que talvez vos façam pensar tanto como me fizeram pensar a mim.

O livro está dividido em três partes, que seguem uma lógica quase natural: primeiro a Vitória Privada (os hábitos que dizem respeito só a nós), depois a Vitória Pública (os hábitos que moldam a forma como nos relacionamos com os outros) e, por fim, a Renovação (o hábito que sustenta todos os anteriores). Vou seguir essa mesma divisão para vos contar o que mais me marcou.

É por aí que vamos.


Vitória Privada - a guerra connosco próprios 

A primeira parte do livro fala daquilo que Covey chama a Vitória Privada: os hábitos que começam em nós. Sem eles, não conseguimos avançar para o resto.

E o primeiro deles é ser proativo.

Todos nós sabemos o que isso significa, mas se calhar nunca paramos para refletir verdadeiramente sobre isso.

À primeira vista, parece uma ideia simples. Mas foi uma daquelas que me fez parar para pensar.

Covey distingue as pessoas reativas das pessoas proativas. As primeiras tendem a concentrar-se naquilo que não conseguem controlar: a economia, as dificuldades financeiras, o comportamento dos outros, o que aconteceu no passado. As pessoas proativas, por outro lado, procuram concentrar a sua energia naquilo que podem controlar: as suas escolhas, as suas reações, os seus hábitos e as decisões que tomam.

Enquanto lia, dei por mim a fazer uma pequena retrospetiva da minha vida e a lembrar-me de quantas vezes me queixei, me vitimizei ou pus a culpa nas circunstâncias e nos outros. 

É sempre mais fácil apontar o dedo para fora do que olharmos para dentro e perceber realmente no que está mal ou fizemos mal e pensar: “O que é que eu posso fazer com aquilo que tenho?”

Ser proativo é parar de esperar que tudo à minha volta mude para eu começar a fazer alguma coisa. Antecipar.

Perceber exatamente onde vale a pena gastar a nossa energia.

Aqui surge também o conceito de Círculo de Influência. Aquilo que posso interferir na verdade. 

Quando penso, por exemplo, nas dificuldades financeiras, não consigo controlar a economia, os preços ou o custo de vida. Mas consigo controlar algumas das minhas decisões e das minhas escolhas.

E talvez seja essa uma das ideias de Covey que mais quero levar comigo: quando não posso mudar as circunstâncias, ainda posso escolher a forma como respondo a elas.


Começar com o fim em mente

Outra ideia que me ficou desta primeira parte foi a de “Começar com o fim em mente”.

Covey propõe um exercício que, confesso, achei um pouco macabro quando li pela primeira vez: fechar os olhos e imaginar o nosso próprio funeral.

Nunca tinha pensado em tal coisa!!!

A ideia é imaginar as pessoas que estão presentes e aquilo que gostaríamos que pensassem sobre nós. 

E foi aqui que o exercício me apanhou de surpresa.

Quando me imaginei naquele cenário, percebi que não queria que as pessoas se lembrassem de mim apenas por aquilo que consegui conquistar (ou não). Não me interessa particularmente que digam que tive sucesso, que alcancei todos os meus objetivos ou que construí uma determinada carreira.

Quero que digam que fui uma pessoa de quem gostavam. Que fui presente. Que tive carácter. Que tratei bem os outros. Que fui alguém em quem podiam confiar.

Parece uma coisa muito simples, mas fez-me repensar a forma como olho para os meus objetivos.

Porque é muito fácil passarmos a vida a correr atrás de coisas que, naquele momento, parecem importantíssimas, sem nunca pararmos para perguntar se estamos sequer a correr na direção certa.

E talvez seja esta uma das perguntas mais importantes que este hábito nos deixa:

Se eu soubesse exatamente como queria ser lembrada, estaria a viver hoje de acordo com isso?


Vitória Pública - a guerra com os outros

Depois de trabalharmos aquilo que começa em nós, Covey passa para a Vitória Pública: a forma como nos relacionamos com os outros.

Esta parte fala de vários hábitos, mas houve dois conceitos que ficaram particularmente comigo: a Mentalidade Ganha-Ganha e, sobretudo, a Conta Bancária Emocional.


Mentalidade Ganha-Ganha

A Mentalidade Ganha-Ganha parte de uma ideia simples: o sucesso de uma pessoa não tem de significar a derrota de outra. Covey chama-lhe mentalidade de abundância — há espaço para todos, e podemos procurar soluções em que ambas as partes saiam beneficiadas.

Mas vivemos numa sociedade que nos exige sempre mais e melhor, com comparações constantes — quem tem mais, quem chegou mais longe, quem está "a ganhar" à nossa custa. E talvez seja precisamente por isso que este é um dos pontos que mais quero trabalhar em mim.

Porque eu ter sucesso não significa que os outros não o possam ter também. E o sucesso dos outros também não significa que o meu fica mais distante.

Ainda estou longe de o fazer bem. Mas talvez o primeiro passo seja mesmo este: perceber que a comparação em que vivo mergulhada não é a única forma de ver o mundo.


Mas foi outro conceito desta parte que realmente me ficou.


A Conta Bancária Emocional

Esta foi, sem dúvida, uma das minhas ideias favoritas de todo o livro.

Covey faz uma analogia espetacular entre as relações humanas e as contas bancárias. Chama-a de conta bancária emocional.

Tal como numa conta bancária fazemos depósitos e levantamentos, também nas nossas relações estamos constantemente a fazer o mesmo, mesmo que não nos apercebamos.

Os depósitos podem ser coisas aparentemente pequenas: cumprir uma promessa, ouvir alguém com atenção, ser honesto, demonstrar respeito, pedir desculpa quando erramos, estar presente quando alguém precisa ou simplesmente tratar o outro com consideração.

Cada um destes gestos é um depósito e vai construindo confiança.

Depois temos os levantamentos: uma palavra dita com arrogância, uma promessa quebrada, falta de respeito, indiferença, egoísmo ou aquela pequena atitude que parece insignificante para quem a faz, mas que pode ter um peso enorme para quem a recebe.

Da mesma forma, cada um destes gestos é um levantamento, vai diminuindo a confiança.

O mais interessante é que uma relação não fica forte por causa de um grande gesto isolado. Fica forte pelos pequenos depósitos que fazemos repetidamente. 

Tal como numa conta bancária tradicional. Não ficas rico se fizeres apenas um depósito, mas sim vários depósitos sucessivos ao longo do tempo. Só assim se vai construindo algo.

Pensem numa conta bancária real. Se passarmos meses a fazer depósitos, quando surgir uma despesa inesperada temos algum saldo de onde retirar. Numa relação acontece algo semelhante.

Quando existe um saldo elevado de confiança, podemos ter uma conversa difícil, cometer um erro ou discordar de alguém sem que a relação desmorone imediatamente.

Mas se passamos demasiado tempo a fazer levantamentos, qualquer pequeno conflito pode parecer enorme.

Esta metáfora fez-me olhar de outra forma para as minhas relações.

Comecei a pensar menos apenas naquilo que quero dizer e mais naquilo que estou a depositar na relação. Estou a ouvir? Estou a cumprir aquilo que prometi? Estou a demonstrar respeito? Estou a estar presente?

Porque, no fundo, não podemos querer ter relações sólidas se passamos a vida inteira a fazer levantamentos.

E talvez seja isso que mais gostei nesta ideia: a confiança não se exige, constrói-se.


A Renovação - afiar a serra

O último hábito deste livro é a nossa renovação,  cuidar de nós próprios.

À primeira vista, parece o mais óbvio de todos.

O autor fala de quatro dimensões que precisamos de renovar: física, mental, emocional e espiritual.

Mas o que mais me marcou não foi propriamente a lista. Foi perceber que a renovação não é um luxo nem uma recompensa por termos sido produtivos. É a manutenção básica.

Tal como precisamos de dormir, comer e cuidar daquilo que usamos todos os dias, também precisamos de cuidar de nós próprios.

E isto parece-me especialmente importante quando falamos de resiliência.

Às vezes pensamos que ser resiliente significa aguentar mais. Trabalhar mais. Resistir mais. Continuar mesmo quando já estamos cansados.

Mas talvez seja precisamente o contrário.

Não se resiste ao que não se cuida.


Conclusão: Vale a pena ler Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes?

Então, depois de tudo isto: vale a pena ler este livro?

Para mim, sim. Muito.

Mas não necessariamente pelo motivo que me levou a comprá-lo.

Se estás à procura de um livro cheio de técnicas rápidas para fazer mais coisas, organizar melhor a agenda ou aumentar a produtividade, talvez este não seja o livro que estás à procura.

Mas se procuras uma leitura que te faça parar, questionar algumas das tuas escolhas e pensar na pessoa que queres ser, então acho que vale muito a pena dar-lhe uma oportunidade.

Porque, no fim, percebi que Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes não é assim tanto um livro sobre produtividade.

É um livro sobre carácter.

Sobre sermos proativos em vez de ficarmos à espera que as circunstâncias mudem. Sobre sabermos para onde queremos ir antes de começarmos a correr.  Sobre construirmos relações baseadas na confiança. E sobre percebermos que também precisamos de parar para afiar a nossa própria serra.

Este livro não mudou a minha vida, mas fez-me fechar algumas páginas e ficar a pensar.

E, para mim, já é uma excelente razão para recomendar uma leitura.


E tu? Já leste Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes? Qual destes conceitos — ou hábitos — sentes que mais precisas de aplicar nesta fase da tua vida?

Contem-me tudo nos comentários!



Queres ler o livro?

Se depois de tudo o que partilhei ficou aquela curiosidade de perceber porque é que este livro me fez pensar tanto, podes encontrá-lo aqui.

É uma leitura a que vale a pena dar tempo — não tanto para aprender a fazer mais, mas para começar a pensar melhor sobre o que estamos a fazer e porquê.

👉 Ver o livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes



Espero por ti no próximo artigo.

Até lá, resiste!


A Arte de Resistir



Nota de transparência: Este artigo reflete a minha experiência e opinião pessoal e não constitui aconselhamento financeiro. Alguns dos links presentes neste artigo podem ser links de afiliado, o que significa que posso receber uma pequena comissão caso faças uma compra através deles, sem qualquer custo adicional para ti. Estas comissões ajudam a manter a A Arte de Resistir independente.

Comentários